terça-feira, 10 de abril de 2012

As 10 qualidades de um guerreiro

Segue uma lição de vida. Um texto muito bem feito por um filósofo brasileiro que passou a analisar como se comportavam os maiores guerreiros revolucionários mundiais até o século atual. 

1. O guerreiro lidera ao servir às habilidades dos outros
Não pense que o líder é aquele que se destaca ou o que possui mais competências. O bom líder é aquele que vê potencialidades nos outros e age para que suas habilidades encontrem espaço no grupo e se desenvolvam. Ele une o melhor de um com o melhor do outro. Sabe como fazer todos sonharem e conectarem seu know-how a um projeto significativo.
Em vez de retórica, sua arte é outra: ele é mestre da escuta. As pessoas não servem ao líder, mas ao sonho em comum e aos projetos derivados. Para que isso aconteça, o líder não faz, pois sempre há alguém que faça melhor. Ele também não manda fazer, apenas abre espaço.
2. O sucesso do guerreiro inclui o fracasso
Não se pode vencer todas
Em livros de auto-ajuda, só se fala no sucesso e suas leis e segredos. Em todos eles, o fracasso é sempre visto como uma das etapas para se atingir o sucesso. O homem guerreiro sabe que não pode confiar em um sucesso que pode dar errado. O sucesso vendido por aí traz mais frustração do que felicidade. O autêntico êxito não pode estar baseado em ideais de sucesso. A ousadia do guerreiro afirma que nosso sucesso tem de ser atingido mesmo se falharmos completamente em todas as nossas investidas.
Parece loucura, mas basta alterarmos nossa meta: em vez de dinheiro, fama e poder, podemos buscar diretamente o que pensamos que vamos conseguir com dinheiro, fama e poder. Em vez de tentar alterar as configurações externas para nos sentirmos bem, treinamos nossa mente e cultivamos uma felicidade, uma consciência e uma presença cuja estabilidade independe do que acontece ao nosso redor.
3.O orgulho, para o guerreiro, é uma forma de distração
Um mestre de meditação certo dia lançou o seguinte desafio a quatro alunos experientes: ficar em silêncio absoluto por um mês. Todos estavam indo bem, até que no último dia um deles começou a tossir incansavelmente. O aluno do lado tentou se conter, mas acabou falando: “Não tínhamos que ficar em silêncio completo?”. O terceiro imediatamente disparou: “Por que vocês dois quebraram o silêncio?”. Um pouco de silêncio e o último não resistiu: “Aha! Eu sou o único que não falou!”.
O guerreiro faz seu melhor. Sem olhar para trás com orgulho. Sem olhar para os lados pedindo aprovação. Sem olhar para frente gerando expectativas. Sempre que desvia o olhar de sua ação presente, ele se distrai, perde tempo e arranja complicações desnecessárias.
4.O guerreiro está sempre disponível
É claro que nossos projetos muitas vezes tomam todo o nosso tempo. Entretanto, ser disponível não significa ter tempo, mas ser capaz de, a qualquer momento, arranjar tempo. Se nos fechamos em nossas pequenas revoluções pessoais, não estaremos preparados para quando uma grande revolução passar ao nosso lado. O mesmo raciocínio vale para trabalhos, projetos e, obviamente, para mulheres.
Estar disponível é sinal de compaixão e liberdade. Compaixão, já que o guerreiro está sempre aberto às confusões humanas. Liberdade, pois o guerreiro pode mudar de direção a qualquer momento, sem preparação, sem avisos.
5.A religião do guerreiro só tem um nome: liberdade
Um autêntico Guerreiro
Masai
Qualquer pratica espiritual só faz sentido se aumenta nossa liberdade diante das configurações do mundo, das imposições dos outros e, principalmente, diante de nossos condicionamentos e energias de hábito. O guerreiro treina aumentar a espacialidade para que, em qualquer situação, sempre haja saídas e caminhos alternativos. Para ele e para os outros.
De fato, o sofrimento surge da contração, do fechamento. Um homem se suicida quando seu espaço de ação é totalmente reduzido e não lhe sobra alternativa além de um tiro na boca. Ele não vê saídas. Sabendo disso, o guerreiro está constantemente ampliando o espaço de possibilidades em seu mundo e nas vidas de todos ao seu redor. Ele vê saídas para os problemas dos outros e assim consegue ajudá-los. Sua presença aberta está sempre apontando a liberdade em tudo, para todos.
6.O guerreiro encara tudo como um sonho
O leão vem nos atacar. Ficamos apavorados e saímos correndo. Mas era tudo um sonho… Viver a vida como um sonho, ver a qualidade onírica de tudo. Essa simples metáfora do sonho causa várias transformações no guerreiro: ele não se leva a sério, ele não dá solidez às situações, ele se livra de certezas e crenças, ele age sem medo.
O guerreiro afirma que a maioria dos humanos continua dormindo no estado de vigília. Quando as coisas aparecem, reagimos de modo condicionado e corremos de vários leões de sonho. A liberação desse processo é similar a um sonho lúcido (aquele no qual, durante o sonho, você sabe que está sonhando): ser capaz de viver sabendo que tudo é um sonho. No grande despertar, o sonho não cessa. Ele apenas perde a substancialidade que antes nos aprisionava.
7.A filosofia do guerreiro tem corpo
O conhecimento desincorporado é estéril e absolutamente inútil. A filosofia do guerreiro não é senão seu corpo em ação. Em vez de guardar saberes, ele faz uso deles para se posicionar no mundo. Cada novo insight mental transforma-se em uma posição específica. Cada teoria ajusta a postura. O que importa não é o conteúdo, mas a flexibilidade que ele gera ao esticarmos nosso corpo e mente na tentativa de apreendê-lo.
Ao ouvir alguém, o guerreiro observa o corpo e aprende com ele. Ao falar, o guerreiro não está interessado em transmitir idéias e informações. Ele mira o corpo do outro. Cada palavra é um golpe – de ataque ou sedução, de violência ou carinho.
8.O guerreiro anda com a morte ao lado
Todo dia, o homem guerreiro levanta e se lembra que vai morrer. Seu primeiro e último pensamento é: todos vão morrer. Isso tira a importância e concede leveza a seus atos. Ao manter essa lembrança, seu corpo transforma-se em um aviso aos outros: “Todos vão morrer”. E então as pessoas realizam seus desejos e fazem loucuras ao seu redor. Elas agradecem a ele, mas ele sabe que ações assim é fruto do poder de agir com a perspectiva da morte.
Sabendo que vai morrer, o guerreiro não se distrai, não entra em discussões tolas, não perde tempo. Se a relação é medíocre, ele a abandona. Se o local se estagnou, ele se muda. Ele não desperdiça sua energia vital. Quando alguém age como se fosse imortal, ele chama a morte e a coloca face a face com ele. O homem guerreiro é parceiro da morte.
9.A única preocupação do guerreiro: oferecer suas habilidades ao mundo
Sem interesses autocentrados, sem ideal de sucesso, sob a sombra da morte, só resta ao guerreiro oferecer o que tem de melhor ao mundo. Ele associa suas artes e habilidades a grandes projetos e tenta enriquecer, como pode esse sonho coletivo que vivemos.
O guerreiro faz de seus atos um presente a todos. Presente que entrega sem que ninguém peça. Ele também não espera elogios ou agradecimentos, apenas entrega e se vai. É isso o que fazemos aqui: nascemos, fazemos alguma coisa e morremos a seguir. Ainda que faça seu melhor, o guerreiro não guarda a ilusão de que isso seja mesmo uma grande coisa. É apenas alguma coisa, uma forma de agradecer pela oportunidade antes de morrer.
10.O guerreiro repousa além das construções
Mulheres vêm e vão. Amigos se apresentam e se despedem. Trabalhos começam e terminam. O guerreiro nunca se vincula totalmente a algo, pois sabe que tudo é impermanente. Paradoxalmente, essa mesma impermanência o faz se dedicar totalmente a cada mulher, amigo ou trabalho. Para o olhar dos outros, o guerreiro é muito ativo e está fazendo mil coisas. Mas o guerreiro é imóvel. Sua imobilidade faz com que ele seja impassível, imperturbável.
Seus pés não estão nas construções que ele executa. Quando o construído desmorona, ele não cai junto. Sua consciência não se identifica com nada que surge na mente: pensamentos, emoções, idéias, medos, desejos. Tampouco ele se identifica com o que surge no corpo: doença, decrepitude, envelhecimento. Sabendo que não é nada disso, ele transita e vive tudo com intensidade.
Seu mundo é um grande cinema com incontáveis filmes em cartaz. Ele sabe que são filmes e mesmo assim escolhe entrar, rir e chorar. Adentrar todos os mundos e seres é sua prática de coragem. Lembrar, em meio ao filme, que ele está em um grande cinema – eis sua prática de liberdade. Mas como ele faz isso?
O guerreiro vê, ao mesmo tempo, o conteúdo do filme e a tela atrás. Os conteúdos se alternam. A tela é sempre a mesma. Livre de qualquer conteúdo, para que possa apresentar qualquer enredo. Sem cor ou som, para que possa mostrar todas as cores e sons. A tela é nossa verdadeira natureza.
O guerreiro sabe que somos a liberdade da qual tudo brota. É essa sua base, seu único refúgio.

 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Teste de Alcoolemia

Gravita em torno do art. 306 do CTB uma lacuna, quem sabe, insuprível até uma nova Constituição. Prevê, tal dispositivo, a pena de 6 meses a 3 anos àqueles que conduzam veículo automotor, em via pública, com concentração de álcool por litro de sangue superior a 6,0 decigramas. Até aí, me parece que ao menos a priori tudo está bem definido. Entretanto, mostrarei a inaplicabilidade de tal dispositivo se utilizado em desfavor de qualquer indivíduo que tem a mínima noção da legislação penal e constitucional.

É demasiadamente salutar iniciar um texto com uma indagação:

a) qual o meio de apurar tal concentração de sangue?

Ora, através de um aparelho de famosa terminologia informal: "bafômetro", aparelho que mede o grau de alcoolemia de alguém pelo teor alcoólico de sua expiração (Houaiss).
Pois bem, em um caso concreto, se o indivíduo se sujeitar a tal teste de alcoolemia, finda-se por aqui essa discussão.

Mas... e se ele vier a se recusar? Aí surge o dilema.

Ele pode se recusar e o faz muito bem sustentado pela Constituição Federal, no Capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais, aliás, cláusula pétrea. Somente um Poder Constituinte Originário poderá alterar, excetuando-se os casos que extendam tais direitos assegurados.
Não se trata do clichê ditado "ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo", mas de uma interpretação extensiva do inciso que segue:
" LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;"

Veja que o indivíduo está muito bem amparado pela Constituição Federal em abster-se ao Teste de Alcoolomia.
Aí, nesse presente momento, devido a tal garantia constitucional, CÁI POR TERRA o art. 306 do CTB.
Ora, se o supracitado dispositivo exige 6,0 como saberá o Agente de Polícia, a olhos nus, se o indivíduo está ou não com essa concentração de alcool. Saberá se o nível está em 5,9 ou 6,0? Não basta dizer se está embrigado ou não: a legislação exige os 6,0. O nobre Militar possui os poderes PERICIAIS para de maneira PRECISA dizer se o indivíduo está ou não com tal concentração de alcool? Os tribunais passarão a aceitar como prova de PERÍCIA a palavra dele? A norma punitiva NÃO ADMITE DÚVIDAS, não admite interpretação extensiva ou analogia, diversamente do Direito Processual Penal. Exige PRECISÃO, CLAREZA, EVIDÊNCIA, e estas só são alcançadas nesse caso através de prova pericial, qual seja, o teste de bafômetro. Como o Estado vai restringir a LIBERDADE, um dos bens mais preciosos de qualquer cidadão através de uma prisão sem tipificação legal? Para existir crime, deve existir tipificação. A tipificação é de "6,0", logo, se os "6,0" não são apurados através de prova pericial não há crime, e não havendo crime, não há prisão, se houver, será ilegal.
Apenas uma dica aos advogados penais de plantão.
Àqueles que entendem diversamente me apedrejem.
Não estou discutindo valores morais ou sociais, porquanto sou totalmente contra a embriaguez ao volante.
Fique claro que apenas mencionei um aspecto técnico com capacidade persuadível

Vestíbulo

Inicia-se mais um blog.Talvez seja apenas um momento de euforia;
talvez dê certo;
não sei, manifesto devaneios.

Até mais.